Livro SEQUESTRO


Jonas é um ambicioso e arrogante executivo, casado com Helena, jovem que herdou uma fortuna após a repentina morte dos pais em trágico acidente. Ele se casou por puro interesse financeiro. Ela, fragilizada pela morte dos pais, se casou em busca de segurança e por sentir-se atraída pelo jovem executivo bem sucedido.

Ambos não tardam a perceber o erro cometido. As brigas entre o casal são cada vez mais constantes e mais sérias, até o dia em que Jonas recebe um bilhete anônimo em seu escritório, com um pedido de resgate pelo sequestro de sua esposa.

Seria esse um sequestro normal? Quem estaria por trás da elaborada trama?


 
 
 
 
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PRIMEIRO CAPÍTULO
(DIREITOS AUTORAIS REGISTRADOS NA BIBLIOTECA NACIONAL)
 
 

     O primeiro fim de semana do ano que acabara de se iniciar havia sido de muito sol e de intenso calor. Na cidade de Valinhos, distante oitenta e seis quilômetros da capital do estado de São Paulo, a temperatura atingira a incrível marca dos quarenta graus centígrados, um recorde para o local.
     Ao final da tarde de domingo, contudo, o calor intenso e a alta umidade, haviam contribuído para a formação de assustadoras nuvens escuras e carregadas, que prometiam despejar dentro de instantes uma enorme quantidade de água, acompanhadas de inúmeros raios e de suas ruidosas trovoadas que já se faziam presentes.
     Em pé, parado atrás de seu carro, um novíssimo Jaguar XJ azul-marinho, comprado há poucas semanas, Jonas Vasconcelos esperava impaciente por sua esposa, para retornarem a São Paulo, após terem passado o Réveillon e alguns dias de férias em sua casa de campo, numa chácara de dez mil metros quadrados, situada em um condomínio de luxo na cidade de Valinhos. Eles haviam estado no local por seis dias, contra a vontade de Jonas, que dizia abertamente para quem quisesse ouvi-lo, que não suportava aquele lugar e que somente o mantinha por vontade e insistência de sua esposa, Helena.
     Helena Fragoso Vasconcelos, filha única, havia herdado a chácara em Valinhos, juntamente com vários outros bens, após o fatídico acidente automobilístico que levara seus pais à morte em uma rodovia federal, há cerca de cinco anos. Ao contrário de seu marido, Helena adorava a casa na chácara e fazia o possível para estar lá o maior tempo possível. O casal discutia frequentemente sobre o tempo que passavam no local, o que para ele era considerado muito longo e, para ela, muito curto.
     A casa, em si, não era enorme, como a grande maioria das casas construídas no mesmo condomínio, mas era bastante confortável. Três amplos dormitórios, sendo uma suíte, faceavam o sul da propriedade. Cada dormitório possuía uma porta balcão que dava acesso a uma varanda sombreada. No lado norte, uma sala de estar com boa iluminação natural, estava integrada com a copa e com a área externa de churrasqueira, com vistas para a piscina e para o jardim com arranjos de flores e variedades de arvores frutíferas apreciadas por Helena.
     O carro de Jonas estava estacionado sob um pergolado coberto com primaveras de diversas cores, as quais eram tratadas com o maior esmero pelo jardineiro que, assim como a faxineira, trabalhava na casa apenas um dia por semana, às sextas-feiras.
     Com a tampa do porta-malas de seu carro aberta, Jonas amaldiçoava o calor e a espera, e intercalava seus olhares entre o céu e a porta da casa, enquanto tentava adivinhar qual das duas chegaria antes, sua esposa ou a chuva, quando sentiu o primeiro pingo bater bem no centro de sua testa.
     Pronto, eu sabia que isso ia acontecer. É sempre a mesma merda. Não sei como uma pessoa pode demorar tanto para ficar pronta! Minhas coisas estão arrumadas desde ontem – resmungava ele em sua mente enquanto fechava a tampa do porta-malas com uma forte batida, na tentativa de extravasar sua raiva.
     Tudo o que eu queria era evitar justamente isso: “ter que voltar pra São Paulo pegando a estrada debaixo de chuva”. Mas não, não adianta falar! Eu disse isso pra ela mais de dez vezes durante o dia, mas parece que a idiota faz de propósito – continuava a pensar ele ao entrar no carro e sentar-se no banco do motorista.
     Por um instante, após entrar no carro, Jonas deixou de reclamar e de pensar na chuva e passou a admirar seu novíssimo Jaguar. Primeiro passou de leve a mão sobre o painel para certificar-se de que não havia nenhuma poeira, afinal ele mesmo havia investido algumas horas na manhã daquele dia cuidando da limpeza do interior do carro. Depois, segurou com as duas mãos o volante revestido em couro macio, na cor bege, o mesmo que revestia os bancos do veículo. Largou a mão direita do volante e segurou na alavanca do câmbio automático e simulou movê-la para frente e para trás. Em seguida olhou-se no espelho retrovisor interno, colado no vidro dianteiro.
     O quê? O que é isso? Um fio de cabelo branco? Ah, não! Cabelo branco com trinta e cinco anos é uma puta sacanagem – pensou enquanto instintivamente já levava suas mãos para tentar isolar e arrancar o indesejado fio branco que contrastava em meio aos seus cabelos pretos.
     Concentrado como estava, olhando-se no espelho retrovisor, não percebeu a aproximação da esposa.
     – Oi, Jô, – disse Helena ao abrir a porta do carro no lado do passageiro do banco dianteiro – estou pronta. É só você colocar a minha mala no porta-malas e já podemos ir embora.
     – Já? Você acha que ficar pronta agora é “já”? Faz quase uma hora que eu estou te esperando! – Respondeu Jonas, ainda mais irritado pelo susto que havia levado com a chegada da esposa enquanto estava distraído com seu fio de cabelo branco. – Olha só a chuva que está começando a cair agora – completou ele, apontando para a chuva com as duas mãos espalmadas para o alto, à sua frente.
     Ao invés de olhar para a chuva, ela apenas o encarou por alguns segundos, mostrando estar farta daquele comportamento por parte do marido, sempre muito irritado, como se estivesse o tempo inteiro de mal com a vida. Depois, calmamente, ela se virou para frente, abaixou o quebra-sol para olhar-se no pequeno espelho lá existente, ajeitou um pouco seus cabelos castanhos na altura dos ombros, e respondeu:
     – Quando você for colocar a minha mala no porta-malas, aproveita pra também trancar a porta da casa com a sua chave porque eu não sei onde pus a minha. Eu achei que estava em algum lugar aqui na minha bolsa, mas não consegui encontrar.
     A resposta de Helena foi a gota d’água que faltava para transformar a pequena discussão na briga mais séria que o casal havia tido até aquele dia.

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